Por MD Magno
Já vai muito longe o tempo cultural, digamos assim, em que se poderia
dar ao luxo de fazer essa separação entre a teoria e a prática - "a
teoria na prática é outra coisa", essas bobagens tantas que a gente
escuta - porque a teoria É uma prática. Fico frequentemente perplexo ao
escutar certas colocações de pessoas que estão tentando se aprofundar na
teoria e, quando se referem à chamada
prática, supõem que lá é um lugar onde nada disso funciona, onde nada
disso é trazido, lá acontecem "outras" coisas... E vemos, um pouco
deceptivamente, pessoas estarem à busca de aulas e textos que lhes digam
o que devem fazer quando estão lá com o analisando. Este é o tipo de
demanda antipsicanalítica por excelência. (...) Ficamos assim,
deslumbrados, quando alguém vem trazer o que "interessa". O que
interessa, no caso, seria, para quem está pressionado pelo analisando - e
mais assustado, às vezes, do que ele - a lição, a receita do que fazer,
ou, pelo menos, uma descrição de um acontecimento, exposto
teoricamente, que viesse oferecer um paradigma de comportamento. Isto é
da mais alta periculosidade. (...) Sempre chamo atenção para o fato, e
vou repetir isso muitas vezes, de que é preciso não ficar à busca de
casinhos. Isto é típico da psicologia, aonde esse imaginário bem
funciona, porque não há outra coisa para se fazer com a psicologia. Essa
sede de ouvir casos clínicos, e de tratar de casos clínicos, me faz
parecer, até prova em contrário, que o sujeito está em busca de
receitas. E é exatamente em busca do quê o sujeito não deve estar, para
que cada encontro com o analisando seja algo radicalmente novo.
Considero isto uma atitude deletéria, esse amor pela casuística, esse
amor por trabalhar "a clínica". É preciso manipular as articulações de
maneira a poder produzir a teoria de cada caso.
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