sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Escapar ao querer

Jorge Forbes

"Quais são as possibilidades de escapar ao querer? É uma pergunta constante: como suportar a transferência? Como suportar que me queiram? Existem possibilidades histéricas e possibilidades obsessivas.

Uma possibilidade obsessiva de escapar ao querer seria não vir aqui hoje, ficar doente: Se me querem, então eu não vou. É a posição por excelência de Groucho Marx: Não entro em clube que me aceita como sócio, posição fóbica do obsessivo. Se o Outro me quer, eu desapareço. Outra forma do obsessivo lidar com o querer do Outro é destruindo o Outro e a si próprio, o que dá na mesma posição contrafóbica do obsessivo. O que precisa ser destruído é a expectativa em relação ao querer de alguém.

A posição histérica é a impossibilidade perante o querer do Outro: Disseram-me que eu disse boas coisas na quarta-feira passada, mas não foram tão boas assim; ou se fazer feia, por exemplo, Não sou tão bonita, Tenho celulite; ou a famosa brincadeira da adolescente, Eu uso aparelho, Usei bota quando era pequena, numa tentativa de dizer Não espere nada de mim, Não sou a mulher que você imagina. Formam um par bastante simples: o obsessivo. fóbico e contrafóbico, e a histérica, sempre insatisfeita.

Satisfazer o Outro é também uma das formas de proteger-se do querer desse Outro, corno uma mãe provedora que, ante o choro do filho, por exemplo, tenta provê-lo com água, comida, cobertor, balanço, num sufocamento incontrolável que acaba por tornar o filho asmático. Cena insuportável para a criança e para quem a presencia e que só uma mãe histérica é capaz de fazer."

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