Jorge Forbes
"Quais são as possibilidades de escapar ao querer? É uma pergunta
constante: como suportar a transferência? Como suportar que me queiram?
Existem possibilidades histéricas e possibilidades obsessivas.
Uma possibilidade obsessiva de escapar ao querer seria não vir aqui
hoje, ficar doente: Se me querem, então eu não vou. É a posição por
excelência de Groucho Marx: Não entro em clube
que me aceita como sócio, posição fóbica do obsessivo. Se o Outro me
quer, eu desapareço. Outra forma do obsessivo lidar com o querer do
Outro é destruindo o Outro e a si próprio, o que dá na mesma posição
contrafóbica do obsessivo. O que precisa ser destruído é a expectativa
em relação ao querer de alguém.
A posição histérica é a
impossibilidade perante o querer do Outro: Disseram-me que eu disse boas
coisas na quarta-feira passada, mas não foram tão boas assim; ou se
fazer feia, por exemplo, Não sou tão bonita, Tenho celulite; ou a famosa
brincadeira da adolescente, Eu uso aparelho, Usei bota quando era
pequena, numa tentativa de dizer Não espere nada de mim, Não sou a
mulher que você imagina. Formam um par bastante simples: o obsessivo.
fóbico e contrafóbico, e a histérica, sempre insatisfeita.
Satisfazer o Outro é também uma das formas de proteger-se do querer
desse Outro, corno uma mãe provedora que, ante o choro do filho, por
exemplo, tenta provê-lo com água, comida, cobertor, balanço, num
sufocamento incontrolável que acaba por tornar o filho asmático. Cena
insuportável para a criança e para quem a presencia e que só uma mãe
histérica é capaz de fazer."
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