sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
Voluntarismo e tragédia
“Quais são as relações desse homem com os atos sobre os quais o vemos deliberar em cena, cuja iniciativa e responsabilidade ele assume, mas cujo sentido verdadeiro o ultrapassa e a ele escapa, de tal sorte que não é tanto o agente que explica o ato, quanto o ato que, revelando imediatamente sua significação autêntica, volta-se contra o agente, descobre quem ele é e o que ele realmente fez sem o saber?
Qual é, enfim, o lugar desse homem num universo social, natural, divino, ambíguo, dilacerado por contradições, onde nenhuma regra aparece como definitivamente estabelecida, onde um deus luta contra um deus, um direito contra um direito, onde a justiça, no próprio decorrer da ação, se desloca, gira sobre si mesma e se transforma em seu contrário?”
(VERNANT, Jean-Pierre e NAQUET, Pierre-Vidal. "Tensões e ambigüidades na tragédia grega." In: Mito e tragédia na Grécia antiga. São Paulo, Duas Cidades, 1977, p. 17-20)
Imagem: Antigone and Oedipus (Mark Rothko, 1941)
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