A
castração é o segredo de todos os objetos de desejo, o que vemos
especialmente no caso da jovem homossexual, que acaba dirigindo seu
desejo para uma dama de mais idade. É precisamente por ela não ter o
falo (é um ser castrado) que a jovem homossexual pode amá-la,
identificando-se com a posição masculina. É como se a jovem homossexual
tentasse mostrar ao pai que o mais importante num objeto de amor
é o fato dele não ter. E que, em todo objeto, o importante não é sua
propriedade positiva, mas sua falta. A tese fundamental de Lacan é que o
desejo se dirige não tanto ao objeto, mas ao que falta nele, e é isso
que anima o desejo e o amor. Conhecemos o perigo da relação da mulher
com um homem que de nada necessita. Nesses casos, acontece da mulher
preferir um outro que precise dela, embora seja inferior numa
comparação.
Deve-se sempre preservar uma falta no relacionamento. Se
Deus fosse tão perfeito, como diz a religião, não haveria razão para
amá-lo. Qual seria a falta de Deus? É perfeito, onipotente, não
necessita de nós. Por que Deus pede nosso amor? A resposta de Lacan é
que Deus é perfeito, mas tem um defeito: não é certo que ele exista.
Esta dúvida sustenta o crente em relação a Deus. Ele sabe que Deus
necessita da fé para existir.
Jacques-Alain Miller
Lacan Elucidado
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