sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Homossexualidade

A castração é o segredo de todos os objetos de desejo, o que vemos especialmente no caso da jovem homossexual, que acaba dirigindo seu desejo para uma dama de mais idade. É precisamente por ela não ter o falo (é um ser castrado) que a jovem homossexual pode amá-la, identificando-se com a posição masculina. É como se a jovem homossexual tentasse mostrar ao pai que o mais importante num objeto de amor é o fato dele não ter. E que, em todo objeto, o importante não é sua propriedade positiva, mas sua falta. A tese fundamental de Lacan é que o desejo se dirige não tanto ao objeto, mas ao que falta nele, e é isso que anima o desejo e o amor. Conhecemos o perigo da relação da mulher com um homem que de nada necessita. Nesses casos, acontece da mulher preferir um outro que precise dela, embora seja inferior numa comparação.
Deve-se sempre preservar uma falta no relacionamento. Se Deus fosse tão perfeito, como diz a religião, não haveria razão para amá-lo. Qual seria a falta de Deus? É perfeito, onipotente, não necessita de nós. Por que Deus pede nosso amor? A resposta de Lacan é que Deus é perfeito, mas tem um defeito: não é certo que ele exista. Esta dúvida sustenta o crente em relação a Deus. Ele sabe que Deus necessita da fé para existir.

Jacques-Alain Miller
Lacan Elucidado

Nenhum comentário:

Postar um comentário