sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
A devastação e o gozo Outro
A devastação não é a inveja do pênis. A devastação me parece estar fora do falicismo, que é ordenado pelos signos da linguagem; a devastação em si é seu sentido semântico, refere-se à abolição das referências. A devastação vai junto com a desorientação, o apagamento dos traços e edifícios significantes, é muito mais radical que a inveja do pênis. O sujeito da inveja do pênis, eu diria isso, jamais perde sua bússola. Sua bússola é a aritmética do ter e as angústias que vão junto, certamente, mas não é um sujeito desbussolado, é um sujeito preso à bússola fálica.
A devastação refere-se ao gozo Outro, gozo que desestabiliza o sujeito, aniquila-o por um instante e o desestabiliza nas suas sequências, mais ou menos. É um gozo que abala os seus alicerces identificatórios. O gozo Outro em si mesmo devasta o sujeito, devasta-o no sentido preciso de subtraí-lo de suas referências subjetivas.
Colette Soler - Declinações da angústia
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