Alain Miller, Seminário L'être et l'un
"Há, portanto, a ideia segundo a qual é possível destituir o sujeito de
sua fantasia fálica e, para fazer uma imagem ainda mais simples disso, é
possível fazê-lo dizer sim à feminilidade, renunciar essa recusa da
feminilidade que afeta o ser falante, não apenas o homem. Aliás, aos
olhos de Lacan, o melhor exemplo é o próprio psicanalista. É por essa
razão que a posição analítica é a
posição feminina, pelo menos é análoga à posição feminina. Isso
significa dizer que não se pode ser analista estando instituído pela
fantasia fálica. Lacan, então, por meio de diversos viezes, retoma a
afinidade especial entre a posição do analista e a posição feminina.
(...)
Hoje quando lemos alguma coisa como das Streben nach Mannlichkeit, isso
não fica tão aparente. O que parece ser o vento dominante é das Streben
nach Weibilichkeit, a aspiração à feminilidade. Então, com efeito, isso
prouz- há pessoas que não concordam- um certo número de
fundamentalistas que querem trazer de volta essa aspiração à ordem
androcênctrica, da qual as grandes religiões da humanidade dão um
esplêndido exemplo. Isso os enerva particularmente. Claro, há as causas
sociais, históricas, e tudo mais que vocês quiserem, alguns movimentos
aos quais assistimos. Do ponto em que vejo o que anda acontecendo, penso
que o fenômeno mais profundo é a aspiração contemporânea à
feminilidade. E as resistências, a desordem, o delírio e a raiva na qual
mergulham os partidários da ordem androcêntrica, as grandes fraturas às
quais assistimos entre a ordem antiga e a ordem nova, isso se decifra,
ao menos por uma parte, como a ordem viril recuando diante do protesto
feminino."
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