"Os filósofos distendem tanto o sentido das
palavras, que elas mal retêm algo de seu sentido original. Dão o nome de
‘Deus’ a alguma vaga abstração que criaram para si mesmos e, assim,
podem posar perante todos como deístas, como crentes em
Deus, e inclusive gabar-se de terem identificado um conceito mais
elevado e puro de Deus, não obstante significar seu Deus agora nada mais
que uma sombra sem substância, sem nada da vigorosa personalidade das
doutrinas religiosas. Os críticos insistem em descrever como
‘profundamente religioso’ qualquer um que admita uma sensação da
insignificância ou impotência do homem diante do universo, embora oque
constitua a essência da atitude religiosa não seja essa sensação, mas o
passo seguinte, a reação que busca um remédio para ela. O homem que não
vai além, mas humildemente concorda com o pequeno papel que os seres
humanos desempenham no grande mundo, esse homem é, pelo contrário,
irreligioso no sentido mais verdadeiro da palavra." (Freud, O Futuro de
uma Ilusão)
imagem: "Monge no Mar", 1809, de Caspar David Friedrich
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