sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

O corte da sessão

A suspensão da sessão, realizada pelo analista em seu ato, é uma maneira de "fazer-de-conta" de objeto a. É por ter rodado e rodado por seus significantes em busca daquele que lhe diria o que é sem tê-lo encontrado, que o analisante poderá buscar a certeza no outro pólo da estrutura - que é esse objeto - onde se encontra a designação de seu ser como objeto tal como está explicitado em sua fantasia.
É somente após esta passagem - momento de passe na análise - de se experimentar como objeto que, no momento de concluir, o analisante vira analista. É por ter feito essa passagem em sua análise que o analista poderá dirigir as análises de seus analisantes para esse ponto fora do significante.
O paradoxo da psicanálise consiste em chegar a esse ser pela via da linguagem: ele é o que resta do processo como impossível de ser dito.
O corte da sessão, ao equivaler-se ao corte da cadeia de significantes, faz surgir, portanto, a dimensão desse intervalo entre os significantes, constituindo essa suspensão da sessão em uma escansão - no próprio sentido de sublinhar, acentuar, frisar - não do significante, e sim de seu intervalo, apontando para o não-sentido e para a falta no Outro, lá onde pode presentificar-se o objeto como referente.

Antonio Quinet - As 4+1 condições da análise

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