A suspensão da sessão, realizada pelo analista em seu ato, é uma
maneira de "fazer-de-conta" de objeto a. É por ter rodado e rodado por
seus significantes em busca daquele que lhe diria o que é sem tê-lo
encontrado, que o analisante poderá buscar a certeza no outro pólo da
estrutura - que é esse objeto - onde se encontra a designação de seu ser
como objeto tal como está explicitado em sua fantasia.
É somente após esta passagem - momento de passe na análise - de se
experimentar como objeto que, no momento de concluir, o analisante vira
analista. É por ter feito essa passagem em sua análise que o analista
poderá dirigir as análises de seus analisantes para esse ponto fora do
significante.
O paradoxo da psicanálise consiste em chegar a esse
ser pela via da linguagem: ele é o que resta do processo como impossível
de ser dito.
O corte da sessão, ao equivaler-se ao corte da cadeia
de significantes, faz surgir, portanto, a dimensão desse intervalo entre
os significantes, constituindo essa suspensão da sessão em uma escansão
- no próprio sentido de sublinhar, acentuar, frisar - não do
significante, e sim de seu intervalo, apontando para o não-sentido e
para a falta no Outro, lá onde pode presentificar-se o objeto como
referente.
Antonio Quinet - As 4+1 condições da análise
Nenhum comentário:
Postar um comentário