"O
sujeito em análise crê que há algo decifrável no seu sintoma e que isso
diz alguma coisa a seu respeito. Apenas suspeita que acreditar [em seu
sintoma] é sempre mais que acreditar. Decerto podemos formular o recurso
à análise, como fez Lacan, em termos de uma pergunta que busca sua
resposta. O sujeito, invadido pelo gozo de seu sintoma, eleva-o à
condição de enigma e recorre ao sujeito suposto saber,
de quem espera a resposta por intermédio da interpretação: ele crê em
seu sintoma e, por isso mesmo, espera que a resposta do simbólico opere
no real. Só que, ali onde o sujeito crê e parece esperar uma resposta,
ali onde ele pensa estar, portanto, num registro puramente epistêmico,
esvaziado de gozo, ali mesmo ele já trocou um gozo por outro. É que
entrar na associação livre é efetuar uma conversão de gozo que
metonimiza aquele que estava fixado na letra do sintoma, desdobrando-o,
ao mesmo tempo, entre um gozar com a decifração e um gozar com o
sentido".
Colette Soler, em "O que Lacan dizia das mulheres"
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