sábado, 25 de janeiro de 2014

Sobre ética e psicanálise

Em alguns casos, o que se pede à psicanálise é uma justificativa para o mal. Pede-se uma participação do saber psicanalítico como analista de um pacto cínico: “O ser humano é assim, não há o que se possa fazer".
Não era bem isso o que Freud pretendia quando chamou a atenção do mundo para o "terreno pantanoso" sobre o qual se edificam os grandes ideais morais da humanidade. Ele pretendia abalar a prepotência da moral burguesa e a vaidade do "homem de bem" do início do século XX, apontando o mal que se pratica, o sofrimento que se inflige ao outro e a si próprio em nome de um código que se acredita absoluto, inquestionável.
Para Freud, admitir que, do ponto de vista do inconsciente, o mal não existe e a moral não importa não deve autorizar que nos tornemos imorais, mas apenas um pouco mais tolerantes com as falhas alheias, um pouco mais humildes em relação a nossas qualidades.

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